Gerentes
ou líderes de equipes de vendas nascem feitos ou é
preciso formá-los?
Luis Viegas
Como foi dito, a afirmação
de que – o bom líder nasce feito –transformou-se
em um paradigma que precisa ser analisado com profundidade.
Não podemos prescindir das habilidades inatas de
influenciar e relacionar-se com pessoas, da mesma forma
que não podemos ignorar que o cantor lírico
ou o astro de futebol nascem com os predicados para exercer
seus dons.
Mas a aptidão, por si só não, não
é suficiente para garantir o sucesso.
Por detrás dele existe toda uma bagagem de conhecimento
e experiência adquirida obstinadamente ao longo do
tempo a quem, mais do que ao dom, dever-se-á creditar
o sucesso alcançado.
Seria o Pavaroti, o tenor que é, se não tivesse
estudado, ao longo de toda a vida, teoria musical e técnicas
de impostação de voz?
E o Pelé, teria sido quem foi, se acomodado na capacidade
natural de jogar futebol tivesse relegado os treinos táticos
e técnicos bem como o condicionamento físico?
Por certo o talento inato não teria sido suficiente
para guindar tais celebridades ao mais alto degrau do estrelato
internacional, seria?
A situação não é nada diferente
quando falamos em gerentes de equipes de vendas.
O que se vê na prática são vendedores
vitoriosos serem promovidos, com muito mérito, ao
cargo de gerentes de equipe.
Até aí nada contra. Afinal não dizem,
por aí, que para vender é preciso ter nascido
vendedor? Se eles nasceram com esse dom nada mais justo
e natural que vençam na carreira que abraçaram.
Mas aí vem o questionamento – Por acaso, o
dom inato de vender, traz embutido o conhecimento da arte
de persuadir e motivar pessoas?
Com certeza não!
Esse conhecimento precisa e deve ser desenvolvido, especialmente
em uma era de mudanças rápidas e profundas
em que o grau de exigência dos subordinados cresce
em relação à qualidade dos líderes.
Paralelamente ao aprendizado de técnicas de vendas
e negociação, características e benefícios
dos produtos, finanças, planejamentos estratégicos,
etc., é imprescindível dotar o gerente com
conhecimentos relativos à ciência do comportamento.
J.B.Kassarjian do instituto Internacional de Desenvolvimento
de Gestão em de Lausanne – Suíça,
vai um pouco mais longe.
“O paradoxo de liderar a mudança é
que a tarefa do líder pode ser menos dramática,
mas é certamente mais difícil em insights
e sutilezas.”
O que ele quer dizer com insights e sutilezas?
Com certeza Kassarjian faz menção a características
que o líder moderno precisa desenvolver, tais como
um certo grau de sensibilidade e intuição.
Dave Ulrich, professor de administração da
Escola de Negócios da Universidade de Michigan, considerado
pela revista Business Week como o maior educador sobre recursos
humanos nos Estados Unidos, reforça este ponto de
vista com a seguinte afirmação: “Os
líderes do futuro serão conhecidos mais pelo
que entregam do que pelo que dizem, mais pelo que moldam
do que pelo que controlam, mais pelas intenções
que criam do que pelos resultados.”
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