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E agora, Generalista ou Especialista?

 

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E agora, Generalista ou Especialista?

Este é um questionamento que tem sido alvo de reflexões, que quase sempre terminam em acalorados debates, quando o nosso grupo de amigos se reúne para filosofar ou, melhor dizendo, jogar conversa fora.

Por incrível que pareça, é nessas horas que encontramos o entusiasmo necessário para trazer para a roda assuntos complexos e a coragem de desenterrar a raiz dos intocáveis paradigmas e tabus.

Livres das pressões do dia-a-dia, recriamos o nosso todo poderoso “eu criança” para o qual não existem verdades absolutas nem muralhas intransponíveis, deixando então que aflorem conceitos livres das amarras dos “pré-conceitos”, da falsidade e da crítica destrutiva.

Quem, além de uma criança, poderia ver e, sob a capa da inocência ter coragem para declarar que o Rei estava nu?

Aliás, foi essa uma das grandes lições deixadas por Einstein, quando afirmou ter descoberto a Teoria da Relatividade ao imaginar-se cavalgando na ponta de um raio de luz.

Então daqui extraímos uma grande lição ― quem quiser ter sucesso precisa reaprender a penetrar no paraíso da fantasia e ser perspicaz o suficiente para descobrir o que do mundo irreal pode ser transformado em um grande negócio!

Bem, mas vamos ao que interessa!

Na última reunião veio à baila o tema ― conhecimento. O fato de estarmos iniciando a era do conhecimento é tão batido que mal começou, já virou coisa do passado! É apenas uma amostra da velocidade com que as mudanças tenderão a acontecer daqui para frente.

Em determinado momento alguém colocou a seguinte pergunta ― “Se o conhecimento tende a ser assim tão rápido, como poderei eu ser um generalista e, mesmo assim, continuar atualizado como exige o mercado?”.

O silêncio baixou sobre o grupo, que mais parecia um bando de crianças pegas após uma travessura do que um grupo de profissionais experientes.

― “É mesmo! ― disse um dos amigos que atua na área de informática ― como será possível ter um profundo conhecimento sobre tudo que nos é exigido se as mudanças acontecem de forma tão rápida? Eu mal consigo manter-me atualizado sobre o que faço!”

Outro membro do grupo, cardiologista, confessou já estar tendo dificuldade para acompanhar a evolução tecnológica que está acontecendo na sua área. “Eu sei ― disse ele ― que existe tendência a uma visão holística. Eu, como cardiologista, embora o meu objetivo seja tratar os males do coração, preciso reconhecer que as causas dos distúrbios circulatórios, na maior parte das vezes, são provenientes das mais diversas causas. Mas, o que tenho podido fazer é manter-me o mais atualizado possível sobre as modernas técnicas de cirurgia e transplante.

Um diretor comercial de empresa multinacional, recente no grupo, mostrava-se incomodado com o rumo que as coisas estavam tomando ― “Eu nada mais sou do que um vendedor, essa é que é a verdade! Mas sou obrigado a conhecer liderança, estratégia de marketing, produtos, mercado, entre muitas outras coisas mais, e ainda atuar como psicólogo para motivar pessoas com baixa auto-estima a buscar resultados.

Bem, para encurtar a história, já que a conversa varou a noite, vou enumerar alguns pontos que definem a minha opinião ― muito particular ― sobre o assunto.
  1. Ser generalista nos dias de hoje é não saber nada sobre tudo! Ser generalista é voltar séculos na história, quando ser filósofo significava saber de tudo um pouco. Mas, os tempos mudaram! Se você tem dúvida é só entrar em uma livraria ou navegar na Internet e ver o quanto somos ignorantes a respeito de uma infinidade de assuntos. Precisamos entender que a era atual é a do saber cada vez mais e mais do menos e menos, ou seja, do especialista.

  2. Ser respeitado nos dias de hoje é ser “o cara”! Existe uma história que mostra claramente o que quero dizer. Um barco de pesquisas ficou à deriva em alto-mar. Não houve alternativa senão a de chamar um técnico. Assim que chegou, o homem foi direto ao motor e tirou um martelo da sua maleta. Foi apenas um golpe e o motor começou a funcionar. Tempos depois chegou a conta ― R$ 5.250. Indignados com o preço, os cientistas resolveram questionar o técnico ― “Bem, os 5.000 até podemos entender, mas e os 250?”.

    O técnico respondeu secamente ― “Os 250 foram pela martelada. Os 5.000 por saber exatamente o lugar certo para bater!”
    Você entende agora o que é ser “o cara”?

  3. Em função do perfil exigido, ser especialista já é muito pouco!
    Alguém disse um dia ― “aquele que faz apenas aquilo pelo qual é pago, não merece o que ganha”.

    Isso, nos dias de hoje, tem o nome de empregabilidade, que se pode definir como sendo o valor agregado que você coloca no seu produto chamado “profissional” para valorizá-lo na hora de vendê-lo a uma empresa.

    É exatamente aí que começa a surgir o dilema ― quem vale mais, o especialista ou o generalista?

    Em função do que se vê atualmente no mercado, o generalista leva certa vantagem. Mas me responda ― quando você tem uma dor de estômago, em quem você confia mais, no clínico geral ou no gastroenterologista? E se a sua empresa precisa dar uma alavancada em vendas, quem você escolhe o vendedor capaz de vender pente para carecas e geladeira no Pólo Norte, ou o vendedor estrategista?

    Parece-me mais ou menos óbvio que quando a coisa aperta o jeito é procurarmos o profissional que resolve, a quem eu apelidei de “o cara”.
    Vamos ver a situação por outro ângulo?

    Se você optar por ser um especialista, vai saber exatamente o que ler, que sites da Internet pesquisar, a que grupo de profissionais se associar, que revistas técnicas assinar, etc.

    Agora, se você acha que deve ser generalista, que livros você vai ler? O que vai pesquisar, que cursos vai fazer? A que dará prioridade, ao conhecimento básico da sua profissão ou ao que agrega valor? Lembre-se ― o tempo é curto para acompanhar tantas mudanças! Eu sei que você está meio confuso. Ainda não entendeu aonde quero chegar, não é verdade?

  4. O Poliespecialista Bem, eu tenho uma certeza ― o grande desafio do profissional moderno, independente do ramo de atuação, é aprender a aprender o que aprender!

    Trocando em miúdos ― Aqueles que tiverem a perspicácia de investir tempo e recursos no aprendizado do que realmente precisam saber serão os escolhidos.

    Por isso defendo a tese de que o especialista que conseguir agregar valor da forma correta e na dose certa será “o cara” do futuro.
    Difícil? Bem, realmente o sucesso não é para todos, mas para aqueles que, além de terem consciência de que para encontrar um tesouro é preciso estar de posse do verdadeiro mapa, ainda estão dispostos a pagar o devido preço para chegar até ele.

    A esses, permita-me a coragem, decidi chamar de “Poliespecialistas” ― “Poli” prefixo grego que indica multiplicidade + “Especialista” ― aquele que conhece profundamente.

    Os Poliespecialistas serão os que além de conhecerem profundamente o tema de sua paixão são capazes de transcender esses limites de forma múltipla e ilimitada.

O meu objetivo, com este artigo, é criar polêmica mesmo!
Embora nem sempre seja receptivo o suficiente para aceitar opiniões diversas, aprendi que a verdade tem a cara de quem nela acredita, e a polêmica tem a força de revelar cada uma dessas caras.

O consenso, tão procurado nas reuniões de negócios, não seria o exato momento em que os discordantes, mesmo não aceitando as verdades dos outros, cansaram de defender suas próprias verdades?
Pense nisso!

Luis Viegas
Consultor de Produtividade e Comportamento
viegas@workshop.com.br

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