Workshop - Treinamento Prático
Ratos descontentes viram-se contra Gatos.
 
Produtividade e Consciência

Ao longo dos anos enfrentando grandes desafios, as empresas têm um, em especial, que consome boa parte da sua inteligência e recursos - a melhoria dos índices de produtividade.

Se levarmos em consideração o cenário atual, onde a competição faz com que os desprezíveis segundos e centavos do passado passem a se transformar no ponto de equilíbrio entre o sucesso e o fracasso, essa preocupação aumenta de forma significativa e a produtividade torna-se alvo de profundos estudos, análises, estratégias e planejamentos.

Embora muitas empresas tentem agir no sentido de melhorar a produtividade modernizando equipamentos, investindo em tecnologia, treinando o pessoal, criando sistemas de controle, cobrança e correção, mesmo assim fica no ar a pergunta - será que estão agindo com consciência?
O que falta, então, além disso? - deve estar você perguntando.

Para responder a essa pergunta precisamos tentar entender as relações e as variáveis que envolvem o processo de melhoria da produtividade.

Mas o que é, afinal, “produtividade”?

Primeiro conceito - Produtividade é o resultado da relação entre diversas variáveis. Se você quiser aumentar a produtividade de uma máquina de fazer parafusos, por exemplo, precisa analisar a relação entre “mão de obra - matéria prima - máquina”.

Segundo conceito - Produtividade é a relação entre três variáveis - “investimento - tempo - resultado”. Embora o fator “tempo” possa ser analisado como investimento, a importância que vem assumindo recomenda que passe a ser analisado separadamente. Empresas e seus profissionais sentem-se cada vez mais pressionados pelo fator tempo. A palavra de ordem é produzir cada vez mais em menos tempo e com menos recursos, especialmente humanos. Um bom exemplo de corrida contra o tempo é o que acontece nas equipes de Fórmula I na hora de parar nos boxes para trocar pneus. Ali, o tempo faz a diferença! O índice de produtividade da equipe dos boxes é medido pelos segundos utilizados para a troca do jogo de pneus. No boxe ao lado outra equipe utiliza os mesmo recursos para reduzir esse tempo em décimos de segundo. É uma competição contra relógio. As equipes investem milhões em tecnologia e treinamento. Mas o que determina se estão ou não na direção certa é um equipamento, de preço desprezível, chamado cronômetro.

Terceiro conceito - Produtividade é coisa humana para humanos!Qualquer que seja o ângulo sob o qual nos dispusermos a analisar a produtividade, um fator sempre surgirá como fundamental - o humano. É exatamente por esse motivo que decidi escrever este artigo tentando criar uma relação entre produtividade e consciência.

Entender o conceito de produtitivade é fácil! Definem-de objetivos, estabelecem-se padrões, implantam-se controles, aperta-se o botão e pronto! Agora é produzir, comparar e corrigir.

Mas, e a tão falada e decantada “consciência”? O que significa? Como interfere na produtividade?

Sem querer entrar em teorias e questionamentos filosóficos, a consciência é uma qualidade da mente que permite ao ser humano perceber a relação entre si e o meio que o cerca. Isso faz com que assuma características de individualidade e subjetividade. Mas não é apenas isso! O nível de consciência tem reflexo determinante no grau de motivação. Isso pode ser traduzido como - “Pessoas empenham-se na razão direta do resultado. Quanto maior a possibilidade de retorno maior a energia direcionada para a ação”. Ou não é assim? Você é capaz de investir o que tem de mais precioso - o seu tempo - numa causa sem retorno quer seja material ou pessoal? Com certeza não!

Você quer saber por que a relação “produtividade - consciência” deve ser uma preocupação da sua empresa, não quer? A resposta é simples:

·A produtividade, em função dos resultados
·A consciência, em função da qualidade dos resultados

Na figura ao lado você vê o que podemos chamar de “Tripé da Produtividade”.

O que um profissional precisa para fabricar parafusos?

Saber fazer - Possuir conhecimento e estar preparado para dominar a tecnologia envolvida na realização da tarefa, certo?

Mas precisa também de:

Poder fazer -
Possuir equipamentos e materiais compatíveis com os objetivos.

Mas seres humanos não são robôs! Possuem sentimentos e vontade, você concorda? Então “saber fazer” e “poder fazer” não bastam para melhorar a produtividade. É preciso que você os oriente sobre os benefícios pessoais que terão fazendo algo mais além de apertar o botão. Como? Introduzindo a base de sustentação do tripé - o “
Querer fazer”.

Qual o sentimento que leva um maratonista a dominar as dores que sente no final do percurso para vencer e, ainda, bater o recorde da prova?

Pois é exatamente esse sentimento que você precisa entender e levar para dentro da sua empresa.  Isso é consciência!

Sua empresa precisa investir em tecnologia de ponta e formação profissional. Mas não pode esquecer-se de fazer com que os seus colaboradores:

·Sintam-se importantes e cumplices;
·Conheçam e aceitem o que deles é esperado;
·Visualizem um futuro promissor investindo o seu tempo nessa empresa;
·Sejam motivados à manifestação e à procura de soluções criativas;
·Sintam-se no direito de errar para descobrir caminhos nunca antes trilhados;
·Tenham orgulho de vestir a camisa da empresa que ajudam a construir;
·Sintam-se seguros pela qualidade da liderança que recebem;
·Estejam abertos para avaliações por saberem que o objetivo não é a caça às bruxas, mas a correção de deficiências para o desenvolvimento profissional;
·Sejam valorizados pelo que realmente são e não pelo que os outros desejariam que fossem;
·Sintam que a equipe com que trabalham é uma extensão da sua família;
·Cultivem a necessária humildade para recomeçar tantas vezes quantas forem necessárias;
·Reconheçam que participam de uma “guerra” onde os clientes são os objetivos, o mercado o campo de batalha e a concorrência o inimigo a ser vencido; e
·Entendam que a empresa merece que atuem além dos seus limites.

Amanhã, quando chegar à empresa, fique atento! Percorra os corredores. Entre nas salas e olhe cada um dos profissionais bem nos olhos. Veja o que você e eles sentem nesse contato pessoal e direto. Após isso você poderá chamá-los para uma avaliação do clima organizacional. Veja se os pontos levantados acima estão saudáveis e fortes. Sua empresa poderá estar “doente” e você nem sequer percebeu!  Tal como um ser vivo que luta pela vida, a empresa também luta para sobreviver.

Se a conclusão for “não”, ou seja, esses pontos estão frágeis e sem força, tenha certeza de que os índices de produtividade, mesmo que considerados satisfatórios, poderiam estar em níveis superiores.

Jamais se esqueça de que você pode, sim, exigir que um profissional atue dentro dos seus limites e produza aquilo para o qual é pago. Mas se ele vai tentar ultrapassar esses limites... Bem, isso quem decide é ele! 
 

Luiz Viegas
Consultor de Produtividade e Comportamento
viegas@workshop.com.br