Mas, se o temor do FMI se concretizar e uma nova crise aparecer pela frente, a situação vai ficar negra. As empresas que nada fizeram e se apoiaram na sorte para sobreviver à última crise - conhecida como a crise americana das hipotecas - desta vez irão pagar o preço. A atual conjuntura não permite que se use mais a sorte como um dos fatores de sustentação de uma empresa. Os administradores da Era atual, considerada como Era da Tecnologia, precisam rever rapidamente os seus conceitos.  Para os que gostam de jogar dados com suas empresas, a sorte até poderá existir. Mas não como único fator salvador, e sim como consequência de uma série de ações planejadas, implantadas à custa de muita transpiração. O grande físico Isaac Newton não descobriu a Lei da Gravidade porque viu cair uma maçã. Muitas frutas caíram na cabeça de outros viajantes, e nada aconteceu a não ser a dor da pancada.  Da mesma forma, Arquimedes não descobriu a Lei de impulsão de um líquido porque estava tomando banho.  Muitas outras pessoas também  deviam tomar banho naquela época, e nada descobriram. A maçã e o banho foram apenas instrumentos que ajudaram Newton e Arquimedes a visualizar na prática o que já estudavam em teoria. 

Bem! A mensagem do FMI é clara: Ainda não dá para baixar a guarda!

Talvez você seja um dos que não acredita no Fundo Monetário Internacional pelos erros que cometeram no passado, até mesmo em relação ao Brasil. Mas, se você parar para pensar, essa previsão poderá até não acontecer
- é o que todos esperam - mas tem grande probabilidade de vir a acontecer.

Você está lembrado da forma como a economia mundial se safou da última crise? Os governos precisaram injetar montanhas de dinheiro nos bancos para cobrir o rombo, não é verdade? Quer ver um exemplo? Imagine que para enfrentar uma crise você tire dinheiro do bolso para encarar a situação. É dinheiro seu! De herança! E com isso a sua empresa vai sobrevivendo. De repente, chega outra crise! Você já não tem mais dinheiro para injetar na empresa. A situação agora é a seguinte - você e a empresa estão falidos.

É isso que o FMI quer dizer com - “a demanda privada ainda não está forte o bastante para sinalizar o fim da prolongada recessão sentida pela economia mundial”.

Os recursos dos governos, além de serem limitados, estão direcionados para benefícios públicos. Se uma nova crise como a anterior acontecer, os governantes pensarão mil vezes antes de tapar o buraco causado pelos erros causados pela ganância dos banqueiros. A bolha, qualquer que seja a origem, vai explodir. E para reduzir o impacto dessa explosão, é necessário que a demanda privada esteja suficientemente forte para aguentar o tranco. Traduzindo: é preciso que o povo tenha grana e esteja disposto a enfiar a mão no bolso para fazer compras. Muitas compras! 

Quer ver um exemplo caseiro? Você já pensou de que forma a Bolsa Família pode refletir no seu negócio? Ah! Você acha que não tem nada a ver? Vamos esquecer o cunho assistencialista, que como sabemos nada constrói
- mas  mata a fome - e pensar no impacto que pode causar na economia. Acompanhe o raciocínio. São 11 milhões de famílias que recebem uma bolsa mensal de 80 Reais em média. No final do ano serão 11 bilhões de Reais que entrarão em circulação no mercado para serem disputados não apenas pelas empresas brasileiras, mas pelas multinacionais. A participação da sua empresa nesse bolo dependerá do mercado em que atua, e da sua competência como administrador.

Mas vamos ao que interessa. O que significa, na prática, não baixar a guarda?

·  Interagir com clientes - Perceba que  estou falando em interação, e não apenas relacionamento. Isso quer dizer formar parcerias com os clientes de forma a descobrir uma necessidade que a sua empresa seja a única capaz de atender. Procure bem que vai encontrar! Se não encontrar, você será apenas mais um. E esses, o tsunami engole primeiro.

·  Utilizar a tecnologia de Produção - Quando falo em uso da tecnologia estou me referindo a todo e qualquer tipo de tecnologia.  Se você tem uma indústria, fica evidente que se não utilizar a tecnologia chegará ao ponto de não mais poder competir. O artesanato pode ser valorizado, mas o crescimento é limitado. Uma empresa, para crescer, precisa pensar em inovação e produtividade. Isso,  nos dias de hoje, só é possível com equipamentos de última geração e muita competência profissional. Agora, se você não tem cacife para  comprar equipamentos, não pense em entregar os pontos. Use a sua criatividade e procure se especializar na solução de problemas difíceis, que só você é capaz de resolver. Eu conheci uma empresa do ramo de pneus que cresceu se especializando no que as empresas gigantes não tinham interesse em produzir. A essa estratégia chamamos “atacar pelos flancos”, popularmente conhecida como “comer pelas beiradas”. O que não é bom para os outros pode ser a sua salvação. 

·  Utilizar a Tecnologia de Informação - Existe alguma empresa que você  sonha em um dia ser como ela? Deve existir, não é verdade? E o que impede a sua empresa de chegar ao mesmo nível? No meu ponto de vista o que impedir é a falta de “grana”! Se você tem vontade de empreender, dinheiro para comprar os equipamentos iguais ou melhor aos dessa empresa, cacife para contratar profissionais com o mesmo nível de profissionalismo, e competência para divulgar os produtos e rapidamente colocar a marca na mente dos clientes, nada o impede de competir de igual para igual, concorda comigo? Então, qual a verdadeira dificuldade para ter sucesso? Como vimos, a dificuldade não está mais no conhecimento, na qualidade, nem no processo de produção. A dificuldade agora está em localizar os clientes e depois chegar até eles para vender o peixe. E só tem uma forma para fazer isso! Usar tecnologia da Informação. É com ela que os clientes se defendem para barrar você. Será com ela que você se defenderá dessa barreira.         

·  Capacitar os profissionais - Faz tempo que os estudiosos dos assuntos ligados a vendas e negociação defendem a tese de que a competição está ocorrendo com diferenciais cada vez mais próximos. Em algumas vezes, nada mais sobra para desequilibrar o prato da balança do que o sorriso do profissional. Pois agora, além do sorriso e de tudo de bom que já fazia, você vai precisar começar a usar a Tecnologia da Comunicação. Antes de mandar imprimir um folheto ou um catálogo, pense se não é mais conveniente - e atual - preparar material digital para ser enviado quando solicitado pelo cliente. É mais apresentável, mais barato e mais completo. De que outra forma você poderá fazer uma demonstração do seu produto sem ser através de um vídeo inserido no seu catálogo digital? No catálogo impresso é impossível, você não acha? E em relação às visitas? Você está conseguindo visitar todos os clientes que precisa e dar-lhes o atendimento que merecem? Tenho certeza que não. O custo das viagens e o tempo perdido em trânsito está reduzindo o índice produtividade de forma assustadora. Mas não esquecei que está em plena Era da Tecnologia, esqueceu! Você já pensou em fazer reuniões virtuais? As chamadas vídeo conferências? Se nunca pensou, é melhor começar a pensar! Talvez nem todos os seus clientes estejam preparados ou gostem dessas modernidades. Mas, pelo menos, você estará marcando muitos pontos com os que gostam e economizando tempo precioso para visitar os que reclamam a sua presença.

O seu sorriso continuará fazendo “a diferença”. Mas o seu sorriso, ampliado por uma estratégia de relacionamento fundamentada na Tecnologia da Informação, será imbatível.

E até que consigam mudar a lei das sequências numéricas, os primeiros serão sempre os primeiros. Os segundos serão os que nadaram mas morreram na praia. Quanto aos últimos? Bem, esses não servirão nem para fazer parte da história.

É uma realidade bastante dolorosa. Mas é assim que é!



Luiz Viegas
Consultor de Produtividade e Comportamento
viegas@workshop.com.br
AINDA NÃO DÁ PARA BAIXAR A GUARDA

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, mais conhecido como FMI está dando um alerta - “A economia mundial ainda não está fora de perigo”!

E no que ele se baseia para fazer essa afirmação se a economia mundial se recuperou de forma mais rápida nos países chamados emergentes do que o previsto? Palavras do diretor -  “a demanda privada ainda não está forte o bastante para sinalizar o fim da prolongada recessão sentida pela economia mundial”.

Não devemos, nem podemos, considerar essa notícia como algo negativo ou desanimador. Antes pelo contrário! A última crise, que chegou com a arrogância de um  tsunami gigantesco, perdeu força e agrediu as economias como uma tímida marolinha.
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